Tristeza Pós-Parto

Por:

Profª. Pós-Drª. Rafaela de Almeida Schiavo CRP/0693353

Você sabia que puérperas podem se sentir tristes? A tristeza no pós-parto não significa depressão. A depressão é um transtorno que precisa de tratamento. Se após o nascimento do bebê a mulher apresenta mudanças de comportamento como isolamento social, choro frequente, irritabilidade, diminuição na vontade de falar e estar com pessoas, e a falta de energia para maternar, podem ser sintomas indicativos de uma possível depressão pós-parto. Neste caso, é importante procurar ajuda de um Profissional como o Psicólogo Perinatal.

A TRISTEZA PÓS-PARTO é diferente da DEPRESSÃO PÓS-PARTO, há acontecimentos no pós-parto que fazem com que a mulher passe por um processo de luto. Muitas mulheres ao chegarem no pós-parto não sabem o que realmente a espera, muitas têm a fantasia de que é um período lindo e maravilhoso com o bebê e que o parceiro será incrível do jeitinho que ela sonhou. Na maternidade real as mulheres precisam lidar com situações reais que nem sempre correspondem ao idealizado e planejado. A maternidade idealizada acaba indo por água abaixo e isso pode fazer com que a mulher entre num processo de luto. O luto não ocorre só quando morre alguém, mas também é vivenciado em outras situações como a perda de um emprego, rompimento de relacionamento afetivo, perda de um objeto especial, entre outros. 

Vivenciamos frustrações, luto e choramos por aquilo que aconteceu que nos gerou tristeza e sofrimento. A mesma coisa pode acontecer quando há uma maternidade idealizada e com a chegada da maternidade real faz com que a mulher passe por um processo de luto da maternidade idealizada, pois, a real é bem diferente do que foi imaginado e esperado. O PROCESSO DE LUTO implica o sentimento de tristeza, nenhum processo de luto as pessoas ficam felizes. 

Em nossa cultura há um estranho costume de não aceitar e não suportar a tristeza do outro, quando alguém chora as pessoas falam para que não fique triste, não chore, não pense nisso agora e tudo vai passar. Às vezes as pessoas não suportam a tristeza do outro e acreditam que o outro está precisando de medicação, quando uma mulher perde um bebê, muitas pessoas ao redor ficam preocupadas por ter se passado dois, três meses e a mulher ainda estar de LUTO, achando que a tristeza está exagerada. 

Não podemos MEDIR ou DIMINUIR a dor do outro, precisamos respeitar esse momento e tolerar o sofrimento do outro. Muitos profissionais não conseguem lidar com o fato de ter que anunciar algo triste e solicitam ao psicólogo que dê a informação, esses profissionais acreditam que o psicólogo tem super poderes para falar de forma que a notícia não cause tristeza nas pessoas.

A tristeza é NORMAL, se trata de uma das EMOÇÕES UNIVERSAIS. Isso significa que temos emoções que sempre existiram e sempre existirão independente da cultura, da idade e do momento histórico. São emoções que existem inerentes ao ser humano e vão ocorrer, e entre elas, está a tristeza e deve ser sentida. Não podemos dizer para alguém que ela não pode ficar triste, se não há palavras para dizer apenas compreenda que é um momento difícil que a pessoa está passando e a abrace, isso será o bastante. 

Quando a mulher está triste no pós-parto não é legal dizer para que ela olhe para o bebê e não sinta a tristeza porque o bebê precisa dela e a tristeza pode passar para ele. Isso é ruim de se dizer. Nos cabe orientar que é muito difícil carregar todo o peso da invisibilidade que sobra para a mãe, a sociedade só quer saber do bebê, a mãe se torna invisível. Precisamos acolher esse sentimento de tristeza.

Ser mãe é trabalhar o dia inteiro, é um trabalho pesado que pode INFLUENCIAR na tristeza das mulheres no pós-parto. A mulher que antes da gestação costumava ter uma vida pessoal, agora precisa se abster de alguns prazeres por algum tempo para atender as necessidades do bebê e de certa forma, algumas mulheres podem sentir nisso um processo de luto.

Chorar e ficar triste no pós-parto por conta do luto que se faz das coisas que se perdem por ser mãe, não é depressão e nem baby blues. É apenas uma TRISTEZA PASSAGEIRA e que as pessoas devem deixar a mulher senti-la. A tristeza no pós-parto existe e precisa ser um sentimento validado e acolhido, as pessoas podem ajudar perguntando para a puérpera o que ela gostaria que fizesse por ela para deixá-la melhor.

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