POR QUE FAZER PRÉ-NATAL PSICOLÓGICO?

Por:

Bárbara Góes CRP03/15900

Primeiramente vamos definir o que é o pré-natal psicológico. É um programa psicoeducativo que tem como objetivo acolher e dar voz às mulheres gestantes, informar, orientar e preparar cada uma delas para que passem pelo processo da maternidade da melhor forma possível. O pré-natal psicológico é uma intervenção de prevenção primária aos transtornos psíquicos e promoção de saúde mental.


O pré-natal psicológico pode ser realizado no modo individual ou grupal. Na forma individual é feito de forma mais personalizada, direcionado às dificuldades identificadas junto com a gestante. Já na forma grupal, é oportunizado um espaço de compartilhamento de vivências e sentimentos, positivos e negativos, decorrentes do processo, buscando-se em conjunto estratégias eficazes de enfrentamento.


Os grupos têm função psicoeducativa sobre a gestação, parto e o pós-parto, propiciando suporte socioemocional e instrutivo. É possível, ainda, por meio dos grupos, se identificar a presença de alterações emocionais significativas individuais, proporcionando intervenção terapêutica precoce.


Afinal, qual a importância de realizar o programa de pré-natal psicológico?


A gestação é considerada um dos momentos na vida da mulher de grande potencial para desencadear transtornos psíquicos.


De acordo com pesquisas (SCHIAVO, 2011; SCHIAVO, 2018; SCHIAVO, 2020), 60% de gestantes e puérperas apresentaram algum sintoma de Stresse, 35% delas apresentaram alta ansiedade e 25% apresentaram algum sintoma de depressão. Esses dados são alarmantes e mostram a grande necessidade de se ter um acompanhamento psicológico durante essa fase da vida da mulher.


O Pré-natal psicológico tem como proposta a prevenção de situações adversas potencialmente decorrentes na gestação e pós-parto, como os relatados acima, que podem vir a desencadear o adoecimento psíquico, como por exemplo a Depressão pós-parto e Psicose puerperal.


Algumas mulheres passam pela gestação de forma tranquila e enfrenta o puerpério sem grandes abalos, mas isso não é regra, há um índice alto de adoecimento psíquico da mulher durante esse período e isso não pode ser negado, não pode ser escondido atrás de ideias românticas sobre a maternidade que acompanhamos pela mídia, que são além de tudo sufocantes para a nova mãe, que precisa de muito acolhimento e menos julgamento e pressão.


O Pré-natal Psicológico é complementar ao Pré-Natal Ginecológico, sendo que esse cuida da saúde física e aquele realiza um preparo emocional da gestante. Portanto, ambos se complementam, pois têm por finalidade primordial buscar formas para melhorar o momento da gestação, do parto e a vivência da maternidade e da paternidade, favorecendo o desenvolvimento saudável do bebê ao oportunizar um projeto de parentalidade que inclua aspectos educativos e psicodinâmicos (Arrais; Araújo, 2016).


Maldonado (2010) afirma que uma preparação que englobe o bom atendimento médico e psicológico na gravidez tem como efeitos principais aliviar a ansiedade, superar dúvidas e temores e aumentar a segurança e a autoconfiança em relação ao parto e ao relacionamento com o bebê, permitindo aos pais acolher o filho da “melhor maneira possível”, e essa não é a “maneira impecável e perfeita”.


Importante ressaltar que a preparação que se faz no Pré-natal psicológico não se propõe a concretizar ideias de perfeição; apenas oferece mais instrumentos e alternativas de ação que ampliam nossos recursos interiores – a intuição, o bom senso, a sensibilidade e a ligação amorosa com o filho (MALDONADO; DICKSTEIN, 2010).


Diante de todo o exposto, fica evidente a importância da realização do Pré-natal Psicológico para que se tenha uma prevenção, além do acompanhamento de alterações emocionais potencialmente presentes nessa fase da vida da mulher, a gestação.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:


ARRAIS, A. R., ARAUJO, T. C. C. F., SCHIAVO, R. A. (2018). Fatores de risco e proteção associados à depressão pós-parto no pré-natal psicológico. Psicologia: Ciência e Profissão, v.38, n.4, p.711-729. <https://doi.org/10.1590/1982-3703003342016>


MALDONADO, M. T., DICKSTEIN, J. Nós estamos grávidos. São Paulo: Integrare editora, 2010.


SCHIAVO, R.A.; RODRIGUES, O.M.P.R. Stress na gestação e no puerpério: uma correlação com a depressão pós-parto. RBGO, v 33, n. 9, p. 252-7, 2011.


SCHIAVO, R.A.; RODRIGUES, O.M.P.R. Variáveis Associadas à Ansiedade Gestacional em Primigestas e Multigestas. Trends Psychol, Ribeirão Preto, v. 26 , n. 4 e p. 2091-2104, 2018.


SCHIAVO, R.A.; PEROSA, G.B. Development, Maternal Depression and Associated Factors: A Longitudinal Study. Paidéia (Ribeirão Preto) [online]. 2020, v. 30 [Accessed 17 March 2022], e3012. Available from: <https://doi.org/10.1590/1982-4327e3012>. Epub 03 June 2020. ISSN 1982-4327. https://doi.org/10.1590/1982-4327e3012.

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