Luto na maternidade: consequências do óbito perinatal

Por:

Carla Daniele dos Santos de Souza CRP 03/19518

A ideia da maternidade na maioria das vezes se relaciona a boas sensações e primor, despertando sentimentos de felicidade, vida nova, esperança, boas novidades e sucesso. Mas, é também um processo que exige reestruturação e reorganização caso ocorra alguma interferência naquilo em que se espera.

          Alguns autores esclarecem que estar em luto não é estar doente, pois esta não é uma condição patológica e reforçam reforçando que, a partir de algum tempo o luto se dissipa, porém o tempo de superação da perda é relativo e modifica-se de acordo com as condições emocionais do sujeito, da maneira como ele encara a vida como também, de suas vivências e da maneira com que ele se relaciona com o meio (VILLELA, 2011).

          Entendido como sendo um processo natural de adequação após uma considerável perda, o luto perinatal precisa ser vivenciado. Porém, é válido ressaltar que nem sempre ele ocorre apenas pela morte da criança, muitas vezes acontece pela perda do objeto desejado, como no caso em que se espera que o bebê seja de um sexo, porém ao nascer ele revela-se como sendo do sexo oposto.

          A execução da maternidade é percebida socialmente como sendo função natural da mulher, desta maneira espera-se que a condição seja exercida de maneira satisfatória e que a mulher alcance plenitude.

          Caso ocorra alguma interferência no processo, como má formação do feto, ou o bebê seja acometido por alguma doença grave e até mesmo aconteça um aborto, estes casos, irão produzir na mulher sentimentos hostis de incompletude, levando-a se sentir inferior e inadequada.

          Sendo tristeza, raiva e culpa às emoções que mais afetam a família nesse primeiro momento (CARVALHO & MEYER, 2007 apud FREITAS & BARROS, 2015).

          A morte é por si um fenômeno bastante delicado e quando se trata de uma mãe perdendo seu filho, engloba uma diversidade de fatores, que permeiam a cognição da mulher, bem como interferem em suas vivências e no curso natural das coisas. A mãe sonhou e idealizou este sonho, mas agora está tendo que lidar com a frustração e a dor da perda de maneira repentina.

          É bastante corriqueiro que a perda do bebê, cause pensamentos e sentimentos impróprios que modificam sua autoimagem, impactando diretamente sua autoestima. Com isto, ela acaba sendo afetada por algumas crenças negativas que desconstroem a percepção de si mesma e do mundo externo, prejudicando também sua feminilidade. Fato que, modifica diretamente seu comportamento. Desta maneira pode-se entender que, o luto perinatal é um processo de grande angustia e sofrimento, pois a chegada do bebê era um momento bastante esperado e nele foram depositadas grandes expectativas (SOIFER, 1992 apud COSTA et al, 2013).

         Assim sendo, o texto exposto permite uma melhor compreensão do que seja o luto na maternidade e como ele afeta a vida das mães e de seus familiares que por algum motivo perderam seus bebês, uma vez que, a perda não esperada gera sentimentos hostis, e disfunções emocionais que refletem diretamente no comportamento e nas relações sociais destas mãe.


REFERÊNCIAS


CARVALHO, Marcella Villela. LUTO NA MATERNIDADE: A QUESTÃO DA IDENTIDADE FEMININA NUM CASO DE ABORTO. Intercursos Revista Científica, Ituiutaba-MG, v. 10, n. 01, p. 7-20, jun./2017. Disponível em: https://revista.uemg.br/index.php/intercursosrevistacientifica/article/view/2347. Acesso em: 29 set. 2021.


LEMOS, L. F. S; CUNHA, A. C. B. D. Concepções Sobre Morte e Luto: Experiência Feminina Sobre a Perda Gestacional. Psicologia Ciência Profissão, Rio de Janeiro, v. 34, n. 04, p. 1121-1138, oct-dec/2015. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1982-3703001582014. Acesso em: 31 out. 2021.


MUZA, J. C. et al. Quando a morte visita a maternidade: atenção psicológica durante a perda perinatal J. Psicologia: Teoria e Prática, São Paulo – SP, v. 15, n. 03, p. 34-48, set-dec/2013. Disponível em: https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=193829739003. Acesso em: 2 nov. 2021.

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