Considerações da Psicologia Corporal no luto fetal

Por:

Andressa Cristina Trevisan - CRP 08/27579

O período da gestação é inevitavelmente um momento de vivência única, tomado por inúmeras transformações físicas, emocionais e psicológicas. Uma das principais características deste período é a ternura e o início da construção do vínculo mãe-bebê (OLIVEIRA; VOLPI, 2013).

A Psicologia corporal entende que a formação do vínculo intrauterino é um processo bio-psíquico, que estende as transformações ao psíquico. Essa formação compreende um processo complexo, porem sutil que se revela necessário para o feto, que precisa sentir-se desejado e amado durante seu desenvolvimento (OLIVEIRA; VOLPI, 2013).


As mudanças experienciadas pela mãe durante a gestação precisam ser o mais saudável e harmoniosas possível, e em casos em que há a perda do bebê, faz-se ainda mais importante o acompanhamento psicológico para que a mãe tenha um lugar de acolhimento, escuta e também de aprendizado sobre si e seu corpo e vivência do luto (OLIVEIRA; VOLPI, 2013).

A Psicologia Corporal traz uma preocupação não somente com o emocional e psíquico da mulher, mas também leva em consideração as

mudanças e bloqueios corporais vividos por esta. Bloqueios e traumas que poderão estender-se por toda a vida se não forem trabalhados em movimentos e técnicas específicas, nas quais a Psicologia Corporal mostra-se eficaz.

A elaboração e a vivência do luto perinatal é um assunto particularmente difícil de ser discutido abertamente, pois na sociedade atual, é um assunto a ser evitado. A angústia desse momento doloroso é em geral racionalizada, provavelmente porque foge à regra da ordem natural da vida e interrompe as expectativas, sonhos e planos pessoais e familiares que iniciam com a notícia da chegada do bebê.

É presente ainda o sentimento de fracasso da mãe, tendo em vista a impossibilidade de a mesma utilizar-se de sua capacidade maternal. É importante reconhecer que para a mãe, é um momento de possível afastamento social e ainda de desenvolvimento de um quadro de somatização, este fenômeno pode ocorrer em um movimento materno de dificuldade de separação entre ser – ou ter sido – mãe e o bebê morto, ou ainda sintomas mais graves como fantasias suicidas ou sensação de enlouquecimento (DUARTE; TURATO, 2009).


A importância da rede de apoio em momentos de perda gestacional ainda é escassa no Brasil, porém demonstra ser de suma importância para que as mulheres possam falar sobre o ocorrido, expressar seus sentimentos e sensações sobre a perda do bebê e ter o sentimento de acolhimento, ao invés de sentirem-se sozinhas e pressionadas para que esqueçam a perda e sigam vivendo sem dar a devida importância e atenção ao processo de luto e rituais de enlutamento específicos (DUARTE; TURATO, 2009).

Referências:

DUARTE, Claudia Aparecida Marchetti; TURATO, Egberto Ribeiro.

Sentimentos presentes nas mulheres diante da perda fetal: uma revisão. Psicologia em Estudo, v. 14, n. 3, p. 485-490, 2009.

OLIVEIRA, Kelly Patrícia Santos; VOLPI, José Henrique. Luto materno do desmame: uma leitura da Psicologia Corporal. VOLPI, José Henrique; VOLPI, Sandra Mara (Org.). Anais. 18º CONGRESSO BRASILEIRO DE PSICOTERAPIAS CORPORAIS. Curitiba/PR. Centro Reichiano, 2013.

Disponível em:

http://www.centroreichiano.com.br/artigos/Anais_2013/OLIVEIRA-Kelly-VOLPI-Jose-Henrique-Luto-materno-do-desmame.pdf >

MaterOnline e a Psicologia Perinatal


O Instituto MaterOnline é uma Instituição especializada na oferta de cursos de formação e pós-graduação a distância (EAD) na área da Psicologia Perinatal. Conheça a Pós-graduação em Psicologia da Gravidez, Parto e Pós-parto tocando aqui e também a Formação em Psicologia Perinatal e da Parentalidade tocando aqui.

PARE DE ERRAR NA PRECIFICAÇÃO DO SEU ATENDIMENTO
ESTÁ FALTANDO PSICÓLOGOS QUE ATUE NESSA ÁREA
ERRO QUE OS PSICÓLOGOS COMETEM NA HORA DE FAZER PARCERIAS

Deixe seu comentário aqui